quinta-feira, 20 de setembro de 2012

The Story - Brandi Carlile

Eu simplesmente amoooo essa música.... È perfeita! Ela aparece no filme Um homem de sorte e também num episódio da 7a temporada de Grey's Anatomy, um seriado americano muito boom!!
Escolhi esse vídeo no you tube porque achei perfeito com cenas de filmes e séries que tem tudo a ver com a música.
Veja a letra e a tradução:

The Story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you

A História

Todas as linhas que contornam o meu rosto
Contam a história de quem eu sou
Tantas histórias sobre onde eu estive
E como eu cheguei onde estou
Mas essas histórias não significam nada
Quando você não tem ninguém com quem partilha-las
É verdade... Eu fui feita para você

Eu escalei os topos das montanhas
Nadei através de todo o oceano azul
Atravessei todas as linhas e quebrei todas as regras
Mas querido, eu quebrei todas por você
Porque mesmo quando eu estava destroçada
Você me faz sentir como tivesse acabado de ganhar milhões de euros
Sim, você faz! E eu fui feita para você

Você vê o sorriso que está na minha boca
Ele está escondendo as palavras que teimam em não sair
E todos os meus amigos que me acham abençoada
Eles não sabem que minha cabeça é uma confusão
Não, eles não sabem quem eu sou de verdade
E eles não sabem aquilo por que eu passei como você sabe
E eu fui feita para você

Todas as linhas que contornam minha face
Contam a história de quem eu sou
Tantas histórias sobre onde eu estive
E como eu cheguei onde estou
Mas essas histórias não significam nada
Quando você não tem ninguém com quem partilha-las
É verdade... Eu fui feita para você
Oh sim, é verdade... Eu fui feita para você



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Filme Abraham Lincoln Caçador de Vampiros



A vida secreta do 16º presidente dos Estados Unidos é relevada nesta mistura de ação e fantasia, em que Abraham Lincoln (Benjamin Walker) é um caçador de vampiros. Sua luta contra esses seres começou quando sua mãe Nancy (Robin McLeavy) é morta por uma criatura sobrenatural.
Incorfomado com o fato, ele declara uma guerra sem piedade contra os seres das trevas e começa a destruir todos os vampiros e os escravos que os ajudam. Dirigido por Timur Bekmambetov (O Procurado) e estrelado por Benjamin Walker, Dominic Cooper e Mary Elizabeth Winstead.






terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um Porto Seguro - Novo livro do Nicholas Sparks



Mais um dos livros do Nicholas para nos emocionar... Veja a sinopse:


Um Porto Seguro: Nos Momentos Mais Difíceis, o Amor É o Único Refúgio
Quando uma mulher misteriosa chamada Katie aparece repentinamente na pequena cidade de Southport, na Carolina do Norte (EUA), questionamentos são levantados sobre seu passado. 

Linda, mas discreta, Katie parece evitar laços pessoais formais até uma série de eventos levá-la a duas amizades relutantes: uma com Alex, o viúvo, com um coração maravilhoso e dois filhos pequenos, a outra com sua vizinha muito franca, Jo. 
Apesar de ser reservada, Katie começa a baixar a guarda lentamente, criando raízes nessa comunidade solícita e tornando-se próxima demais de Alex e de sua família. No entanto, quando Katie começa a se apaixonar, ela se depara com o segredo obscuro que ainda a assombra e a amedronta: o passado que a deixou apavorada e a fez cruzar o país para chegar no paraíso de Southport. 
Com o apoio simpático e insistente de Jo, Katie percebe que deve escolher entre uma vida de segurança temporária e outra com recompensas mais arriscadas... e que, no momento mais sombrio, o amor é seu único refúgio.
Ainda não li mas vou lê-lo ainda este ano...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Ateneu


Sérgio, o protagonista, relembra os dois anos em que viveu no internato chamado Ateneu, num texto marcado por características do naturalismo, mas que não se limita a seguir os preceitos desse movimento literário

Ateneu, livro de Raul Pompéia que tem como subtítulo Crônica de Saudades, foi publicado em folhetins em 1888. Considerada uma das grandes obras da literatura brasileira, narra os dois anos em que Sérgio, o protagonista, vive no internato chamado Ateneu.

A primeira dificuldade na análise do livro é enquadrá-lo numa categoria fixa, ou seja, fazer uma classificação rígida sobre que tipo de romance ele representa. Pode ser considerado desde um relato autobiográfico até um romance de formação, ou ainda uma típica narrativa de cunho naturalista. Vistas isoladamente, no entanto, essas abordagens deixam a dever no entendimento final da obra.

NATURALISMO SUBVERTIDO De acordo com os preceitos do romance naturalista, ao qual se pode associar o livro, depreende-se em Ateneu uma crítica feroz às instituições de ensino das elites do século XIX. O colégio é visto como microcosmo da sociedade. Para isso, o narrador utiliza descrições de toda ordem, físicas ou psicológicas, levadas a cabo com rigor e riqueza de detalhes quase científicos.

A narrativa é assim apresentada num movimento linear de fora para dentro, do macro para o micro. É como se o leitor penetrasse em um organismo vivo. Inicialmente, a instituição educacional é mostrada a partir de um foco externo: as festas, os discursos, os ginastas e suas coreografias, a princesa imperial, que prestigiava os eventos, e, principalmente, a figura central de Aristarco, pedagogo e dono do colégio.

Desse ponto de vista, o narrador encara o Ateneu com certa perplexidade e maravilhamento. O colégio não se revela ainda um mundo rebaixado, como se verá mais tarde. Nesse nível, a percepção do que é a escola se situa no âmbito do discurso publicitário, “dos reclames”, no dizer do narrador, o que é sublinhado, de forma irônica, por meio do personagem Aristarco.

Esse primeiro exame dá conta do viés naturalista. Há, porém, um aspecto que deixa a leitura mais complexa. A estética naturalista concebe uma arte na qual o autor assume o papel de observador, daí seu pretenso distanciamento em relação à matéria narrada, para que possa criticar de forma mais adequada as doenças do mundo. Era a maneira – que naquele momento tinha grande prestígio na Europa – de conceber as artes: o artista se coloca como cientista e se isola do mundo por ele examinado.

Em Ateneu, no entanto, há um narrador-protagonista. O foco em primeira pessoa subverte os preceitos naturalistas, de isenção e distanciamento. Sérgio narra e comenta o mundo narrado. Desse modo, a compreensão sobre o que é o Ateneu se estrutura na obra com as impressões do personagem principal. E, como elemento complicador, isso se realiza pautado na perspectiva adulta. O romance é um relato a posteriori das memórias de Sérgio a respeito dos dois anos em que passou no internato.

Há, então, uma matéria narrada (o mundo do Ateneu), impregnada da consciência, das impressões do narrador, e recuperada por sua memória daquele tempo. Essa atitude literária afasta a obra do modelo clássico de realismo/naturalismo. Por outro lado, o romance abriga vários aspectos naturalistas, como o determinismo, a presença do homossexualismo e os aspectos animalescos (comparações de personagens com animais).

ESPAÇO
A obra é claramente dividida em dois espaços: fora e dentro do colégio. O primeiro é visto como ambiência do mundo natural. O segundo funciona como rito de iniciação, acontecimento traumático por meio do qual ocorre a passagem do universo infantil para o adulto, espaço para a formação do homem.

Ateneu, contudo, em vez de formar, deforma o homem. Trata-se de uma formação às avessas, ou seja, o que se espera de uma instituição é subvertido por uma educação bárbara. O ensino no colégio é determinado por um espaço no qual impera o ideal da força sobre os mais fracos.

TEMPO
O tempo é dividido em tempo psicológico e tempo vivido. O primeiro é o da memória, manuseado pelo narrador da maneira que lhe vem na consciência. Assim, na narração temos os episódios que ficaram na memória narrativa do autor. Já o tempo vivido se circunscreve linearmente aos dois anos de internato vividos pelo protagonista. Isso garante complexidade à obra e confere maior densidade a sua leitura.

ENREDO

O Cortiço - o filme



Moradora de um cortiço de propriedade do português João Romão, Rita Baiana é uma mulher expansiva e liberada. Ao se apaixonar por Jerônimo, jovem lusitano recém-chegado ao Brasil, ela deflagra um jogo de paixões que acaba em tragédia. Baseado no romance de Aluísio de Azevedo. Considerado sua obra-prima. Esse romance narra, em sua linguagem vigorosa, a vida miserável dos moradores de duas habitações coletivas.



O cortiço - Aluísio Azevedo



Tendo como cenário uma habitação coletiva, o romance difunde as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico
Ao ser lançado, em 1890, O Cortiço teve boa recepção da crítica, chegando a obscurecer escritores do nível de Machado de Assis. Isso se deve ao fato de Aluísio de Azevedo estar mais em sintonia com a doutrina naturalista, que gozava de grande prestígio na Europa. O livro é composto de 23 capítulos, que relatam a vida em uma habitação coletiva de pessoas pobres (cortiço) na cidade do Rio de Janeiro. 
O romance tornou-se peça-chave para o melhor entendimento do Brasil do século XIX. Evidentemente, como obra literária, ele não pode ser entendido como um documento histórico da época. Mas não há como ignorar que a ideologia e as relações sociais representadas de modo fictício em O Cortiço estavam muito presentes no país. 

RIGOR CIENTÍFICO Essa criação de Aluísio de Azevedo tem como influência maior o romance L’Assommoir, do escritor francês Émile Zola, que prescreve um rigor científico na representação da realidade. A intenção do método naturalista era fazer uma crítica contundente e coerente de uma realidade corrompida. Zola e, neste caso, Aluísio combatem, como princípio teórico, a degradação causada pela mistura de raças. 
Por isso, os dois romances naturalistas são constituídos de espaços nos quais convivem desvalidos de várias etnias. Esses espaços se tornam personagens do romance.

É o caso do cortiço, que se projeta na obra mais do que os próprios personagens que ali vivem. Um exemplo pode ser visto no seguinte trecho: 

“E durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente. E ao lado o Miranda assustava-se, inquieto com aquela exuberância brutal de vida, aterrado defronte daquela floresta implacável que lhe crescia junto da casa, por debaixo das janelas, e cujas raízes, piores e mais grossas do que serpentes, minavam por toda a parte, ameaçando rebentar o chão em torno dela, rachando o solo e abalando tudo.” 

O narrador compara o cortiço a uma estrutura biológica (floresta), um organismo vivo que cresce e se desenvolve, aumentando as forças daninhas e determinando o caráter moral de quem habita seu interior. 

NARRADOR A obra é narrada em terceira pessoa, com narrador onisciente (que tem conhecimento de tudo), como propunha o movimento naturalista. O narrador tem poder total na estrutura do romance: entra no pensamento dos personagens, faz julgamentos e tenta comprovar, como se fosse um cientista, as influências do meio, da raça e do momento histórico.

O foco da narração, a princípio, mantém uma aparência de imparcialidade, como se o narrador se apartasse, à semelhança de um deus, do mundo por ele criado. No entanto, isso é ilusório, 
porque o procedimento de representar a realidade de forma objetiva já configura uma posição ideologicamente tendenciosa. 

TEMPO 
Em O Cortiço, o tempo é trabalhado de maneira linear, com princípio, meio e desfecho da narrativa. A história se desenrola no Brasil do século XIX, sem precisão de datas. Há, no entanto, que ressaltar a relação do tempo com o desenvolvimento do cortiço e com o enriquecimento de João Romão. 

ESPAÇO 
São dois os espaços explorados na obra. O primeiro é o cortiço, amontoado de casebres mal-arranjados, onde os pobres vivem. Esse espaço representa a mistura de raças e a promiscuidade das classes baixas. Funciona como um organismo vivo. Junto ao cortiço estão a pedreira e a taverna do português João Romão.

O segundo espaço, que fica ao lado do cortiço, é o sobrado aristocratizante do comerciante Miranda e de sua família. O sobrado representa a burguesia ascendente do século XIX. Esses espaços fictícios são enquadrados no cenário do bairro de Botafogo, explorando a exuberante natureza local como meio determinante. Dessa maneira, o sol abrasador do litoral americano funciona como elemento corruptor do homem local. 


ENREDO 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Naturalismo



Naturalismo mostra o homem como produto de forças “naturais”, desenvolve temas voltados para a análise do comportamento patológico do homem, de suas taras sexuais, de seu lado animalesco.

Os naturalistas acreditavam que o indivíduo é mero produto da hereditariedade e seu comportamento é fruto do meio em que vive e sobre o qual age.
A perspectiva evolucionista de Charles Darwin inspirava os naturalistas, esses acreditavam ser a seleção natural que impulsionava a transformação das espécies.
Assim, predomina nesse tipo de romance o instinto, o fisiológico e o natural, retratando a agressividade, a violência, o erotismo como elementos que compõem a personalidade humana.
Os autores naturalistas criavam narradores oniscientes, impassíveis para dar apoio à teoria na qual acreditavam. Exploravam temas como o homossexualismo, o incesto, o desequilíbrio que leva à loucura, criando personagens que eram dominados por seus instintos e desejos, pois viam no comportamento do ser humano traços de sua natureza animal.

No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio, publicadas na década de 1870. Aluísio de Azevedo com a obra O mulato, publicada em 1881, marcou o início do Naturalismo brasileiro, a obra O cortiço, também de sua autoria, marcou essa tendência.

Em O cortiço a face completa do Naturalismo pode ser vista, nessa obra o indivíduo é envolvido pelo meio, o cenário é promíscuo e insalubre e retrata o cruzamento das raças, a explosão da sexualidade, a violência e a exploração do homem.

Além de Aluízio de Azevedo e Eça de Queirós, existem outros escritores que se destacaram como Júlio Ribeiro com o romance A carne (1888); Adolfo Caminha com A normalista (1893) e O bom-crioulo; Raul Pompéia com O Ateneu (1888).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O melhor de mim - Nicholas Sparks


Na primavera de 1984, os estudantes Amanda Collier e Dawson Cole se apaixonaram perdidamente. Embora vivessem em mundos muito diferentes, o amor que sentiam um pelo outro parecia forte o bastante para desafiar todas as convenções de Oriental, a pequena cidade em que moravam.
Nascido em uma família de criminosos, o solitário Dawson acreditava que seu sentimento por Amanda lhe daria a força necessária para fugir do destino sombrio que parecia traçado para ele. Ela, uma garota bonita e de família tradicional, que sonhava entrar para uma universidade de renome, via no namorado um porto seguro para toda a sua paixão e seu espírito livre. Infelizmente, quando o verão do último ano de escola chegou ao fim, a realidade os separou de maneira cruel e implacável.
Vinte e cinco anos depois, eles estão de volta a Oriental para o velório de Tuck Hostetler, o homem que um dia abrigou Dawson, acobertou o namoro do casal e acabou se tornando o melhor amigo dos dois.
Seguindo as instruções de cartas deixadas por Tuck, o casal redescobrirá sentimentos sufocados há décadas. Após tanto tempo afastados, Amanda e Dawson irão perceber que não tiveram a vida que esperavam e que nunca conseguiram esquecer o primeiro amor. Um único fim de semana juntos e talvez seus destinos mudem para sempre.
Num romance envolvente, Nicholas Sparks mostra toda a sua habilidade de contador de histórias e reafirma que o amor é a força mais poderosa do Universo - e que, quando duas pessoas se amam, nem a distância nem o tempo podem separá-las.
Vale a pena ler... Como todo livro do Nicholas nos faz chorar, pensar e refletir sobre a nossa vida e como a estamos administrando....Amei, embora não gostei do final. Parece que tem filme para o ano que vem... Espero que sim...


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Memórias Póstumas de Brás Cubas



Nesta história narrada em primeira pessoa, por um defunto autor, Machado de Assis nos mostra através da pretensa superioridade de seu protagonista - Brás Cubas - a precariedade da espécie humana. 

1. Narrador 

Os romances de Machado escondem várias armadilhas ao longo do processo de leitura, especialmente quando se trata de um leitor romântico, acostumado a confiar sem questionamento na onisciência do narrador - nas narrações em terceira pessoa - e na sua autoridade como testemunha ocular da história contada, no caso específico das narrações em primeira pessoa. 

Memórias póstumas de Brás Cubas pertence a este caso, isto é, tem a narração em primeira pessoa; o foco narrativo centraliza-se no personagem-narrador, tornando-se difícil, assim, recusarmo-nos a crer no que conta. 

Entretanto, uma das chaves para a leitura deste grandioso romance está justamente em desconfiarmos do narrador. Ao colocarmos em dúvida a veracidade do ato narrativo, começaremos a entender a estrutura do romance. Vejamos por quê: de um lado é um defunto autor, que conta a história de sua vida do além-túmulo, e assim dá a impressão de máxima isenção, de uma imparcialidade absoluta. De outro lado, simultaneamente, vai espalhando pelo texto algumas pistas que denunciam suas mentiras e seus exageros. 

Vamos analisar, sob este aspecto, as partes iniciais dos capítulos I e II. 

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a Segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo, Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco. 

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma Sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia - penetrava um chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia do discurso que proferiu à beira de minha cova: - "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul com um crepe fúnereo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à Natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado. 

Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. 

[cap. I - Óbito do autor] 

sábado, 4 de agosto de 2012

Realismo



CONTEXTO HISTÓRICO
- Surgiu a partir da segunda metade do século XIX.
- As idéias do Liberalismo e Democracia ganham mais espaço.
- As ciências evoluem e os métodos de experimentação e observação da realidade passam a ser vistos como os únicos capazes de explicar o mundo físico.
- Em 1870, iniciam-se os primeiros sintomas da agitação cultural, sobretudo nas academias de Recife, SP, Bahia e RJ, devido aos seus contatos freqüentes com as grandes cidades européias.
- Houve também uma transformação no aspecto social com o surgimento da população urbana, a desigualdade econômica e o aparecimento do proletariado.
O Realismo iniciou-se na França, em 1857, com a publicação de “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.
No Brasil foi em 1881, com “Memórias Póstumas da Brás Cubas” de Machado de Assis e “O Mulato” de Aluísio Azevedo.

CARACTERÍSTICAS DO REALISMO
- Oposição ao idealismo romântico. Não há envolvimento sentimental
- Representação mais fiel da realidade
- Romance como meio de combate e crítica às instituições sociais decadentes, como o casamento, por exemplo
- Análise dos valores burgueses com visão crítica denunciando a hipocrisia e corrupção da classe
- Influência dos métodos experimentais
Narrativa minuciosa (com muitos detalhes)
- Personagens analisadas psicologicamente

AUTORES PRINCIPAIS

É considerado o maior escritor do século XIX, escreveu romances e contos, mas também aventurou-se pelo mundo da poesia, teatro, crônica e critica literária.
Nasceu no Rio de Janeiro em 1839 e morreu em 1908. Foi tipógrafo e revisor tornando-se colaborador da imprensa da época.
Sua infância foi muito pobre e a sua ascensão artística se deve a muito trabalho e dedicação. Sua esposa, Carolina Xavier, o incentivou muito na carreira literária, tanto que foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.
Como romancista escreveu: ”A mão e a luva”, “Ressurreição”, ”Helena” e “Iaiá Garcia”.
Embora sejam romances, essas obras também revelam algumas características que futuramente marcarão a fase realista e madura do autor, como a análise psicológica dos personagens, o humor, monólogos interiores e cortes na narrativa (uma das suas principais características).
“Memórias Póstumas da Brás Cubas” (considerado o divisor de águas na obra machadiana) “Quincas Borba”, “Dom Casmurro”, “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”, revelam o interesse cada vez maior do autor de aprofundar a análise do comportamento do homem, revelando algumas características próprias do ser-humano como a inveja, a luxúria, o egoísmo e a vaidade, todas encobertas por uma aparência boa e honesta.
Como contista Machado escreveu: ”A Cartomante”,”O Alienista”,”O Enfermeiro”,”O Espelho” dentre outros.
Como cronista escreveu, entre 1892 e 1897, para a Gazeta de Notícias, sob o título “A Semana”.
Embora suas peças teatrais não tenham o mesmo nível que seus contos e romances, ele nos deixou “Quase ministro” e “Os deuses da casaca”.
Como crítico literário, além de vários prefácios e ensaios destacam-se 3 estudos: ”Instinto de nacionalidade”,”A nova geração” e “O primo Basílio” (a respeito do romance de mesmo nome de Eça de Queirós).

Outros Autores
Raul Pompéia: “O Ateneu”
Aluísio Azevedo: “O cortiço”,”O Mulato”, “Casa de pensão”
Inglês de Souza: “O missionário”
Adolfo Caminha: “A normalista”, “Bom-Crioulo”
Domingos Olímpio: ”Luzia-Homem”